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Agro de MS multiplica cadeias e transforma produção em indústria

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2 semanas atrásem
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LUIS VILELA
O agro de Mato Grosso do Sul já não cabe apenas na imagem das grandes lavouras de soja e milho ou do gado espalhado pelas pastagens. Do campo continuam saindo grãos, carne e matéria-prima, mas uma parcela cada vez maior dessa produção percorre outro caminho antes de deixar o Estado: entra em fábricas, movimenta novas cadeias produtivas e se transforma em combustível, energia, óleo, farelo, ração, celulose, couro e uma variedade crescente de produtos.
Ao mesmo tempo, culturas que há poucos anos tinham participação limitada na economia sul-mato-grossense começam a ganhar escala. O amendoim colocou o Estado na segunda posição entre os produtores brasileiros na safra 2024/25, com mais de 56 mil toneladas. A laranja abriu uma nova fronteira agrícola que se aproximava de 35 mil hectares plantados em maio de 2026.
É a diversificação de um agro que continua apoiado em algumas de suas grandes vocações históricas, mas acrescenta novas atividades e, sobretudo, procura transformar dentro do próprio Estado uma parcela maior daquilo que produz.
Para o governador Eduardo Riedel (Progressistas), candidato à reeleição, essa mudança de perfil está diretamente relacionada ao avanço da tecnologia, da produtividade e da agroindustrialização.
“Mostramos que é possível produzir mais e, ao mesmo tempo, preservar. Fizemos da tecnologia uma grande aliada para aumentar a produtividade. A indústria não chegou para disputar espaço com o produtor rural. Pelo contrário, ela agregou valor aos nossos produtos e abriu novos mercados”, afirma.
Do grão ao combustível, da floresta à indústria
A soja ajuda a compreender essa transformação. Além de ser comercializada como grão, entra em cadeias que produzem óleo, farelo e ração animal. O milho, por sua vez, deixou de ter como destino apenas a alimentação e a exportação e ganhou importância como matéria-prima para a fabricação de etanol.
A cana-de-açúcar completa essa estrutura com açúcar, etanol, bioeletricidade e outros derivados.
Mato Grosso do Sul possui atualmente 22 usinas de bioenergia em operação. O setor produz mais de 4 bilhões de litros de etanol por ano e passou a integrar cana e milho em uma cadeia que também avança sobre biogás e biometano.
É um exemplo claro de como a agroindustrialização modifica o valor econômico de uma safra: em vez de simplesmente transportar a matéria-prima para outros mercados, parte dela passa por transformação industrial ainda em território sul-mato-grossense.
O movimento se repete na cadeia florestal.
Em Ribas do Rio Pardo funciona a maior linha única de produção de celulose do mundo. A fábrica da Suzano possui capacidade instalada para produzir 2,55 milhões de toneladas por ano e nasceu de um investimento superior a R$ 22 bilhões.
Ao redor da celulose surge ainda uma cadeia de fornecedores, logística, energia e serviços. Em Três Lagoas, por exemplo, novos investimentos vêm sendo atraídos justamente para fornecer produtos utilizados pelas próprias fábricas de celulose instaladas na região.
É esse encadeamento que amplia o impacto do agro para além da porteira.
Novas culturas entram no mapa
A diversificação aparece com ainda mais clareza quando se observa o avanço de culturas que não faziam parte, em grande escala, da paisagem agrícola tradicional de Mato Grosso do Sul.
O amendoim é uma delas.
Na safra 2024/25, a produção estadual ultrapassou 56 mil toneladas, crescimento de 176,37% em relação ao ciclo anterior, levando Mato Grosso do Sul à segunda posição nacional. O crescimento já começa a atrair a etapa seguinte da cadeia: uma indústria de beneficiamento de R$ 30 milhões está prevista para Nova Alvorada do Sul.
A citricultura segue trajetória semelhante.
Mato Grosso do Sul se aproxima de 35 mil hectares de laranja plantados e passa a ser tratado como uma das novas fronteiras de expansão da citricultura brasileira. Somente em Ribas do Rio Pardo há um projeto superior a 5 mil hectares, enquanto outros investimentos avançam em diferentes municípios.
A expectativa é que o crescimento dos pomares seja seguido também pela industrialização da fruta, reproduzindo uma lógica que já ocorre com grãos, cana e florestas plantadas: produzir, processar e agregar valor dentro do Estado.
Pecuária também muda de perfil
Mesmo a pecuária, uma das atividades econômicas mais antigas de Mato Grosso do Sul, passou por transformação.
O bovino deixou de representar apenas carne. A atividade alimenta uma cadeia em que o couro abastece setores como móveis, calçados e indústria automotiva, enquanto o sebo pode ser utilizado na fabricação de biodiesel.
Ao lado dos bovinos, avançam ainda outras proteínas animais, como suínos, aves e tilápia. Investimentos recentes incluem expansões da indústria de suínos em Dourados e São Gabriel do Oeste, ampliando a capacidade de processamento instalada no Estado.
O resultado é uma estrutura em que agricultura, pecuária, energia e indústria passam a funcionar de maneira cada vez mais interligada.
Segundo os números apresentados no material, Mato Grosso do Sul reúne hoje dez grandes cadeias produtivas e mais de 8 mil agroindústrias.
Menos espaço por atividade, mais produção por hectare
É dentro dessa transformação — e não como sinal de retração do campo — que deve ser compreendida a mudança no uso das terras de Mato Grosso do Sul.
Nos últimos 15 anos, a área de pastagens passou de aproximadamente 23 milhões para 18 milhões de hectares.
Parte dessas terras deu lugar a agricultura, florestas plantadas e outras atividades produtivas. Esse deslocamento já vinha sendo identificado há anos pelos levantamentos estaduais: a expansão agrícola ocorreu principalmente sobre áreas anteriormente utilizadas pela pecuária, simultaneamente à adoção de sistemas de produção mais intensivos.
Ou seja, diferentes cadeias passaram a dividir uma base territorial que anteriormente era muito mais concentrada na pecuária extensiva.
Também houve melhora na qualidade das áreas que continuam destinadas ao gado. Dados baseados no MapBiomas apontam que as pastagens consideradas de baixo vigor caíram de 6,2 milhões de hectares em 2010 para 2,9 milhões em 2024 — redução aproximada de 52%.
É nesse sentido que Riedel associa o novo perfil do agro a produtividade e tecnologia.
“Muito antes de ser governador, a gente trouxe aqui para a nossa empresa um modelo que envolve alta produtividade, tecnologia, eficiência e sustentabilidade. E esses conceitos dão uma dimensão do agro em todo o Estado do Mato Grosso do Sul”, afirma.
Preservação entra na equação econômica
O crescimento da produção convive também com uma discussão cada vez mais presente dentro das propriedades: como transformar preservação ambiental em parte da própria economia rural.
O presidente da Federação da Agricultura e Pecuária de Mato Grosso do Sul (Famasul), Marcelo Bertoni, afirma que mais de 300 mil hectares foram regenerados no Estado, em sua maioria dentro de propriedades privadas.
Para o produtor rural Leonardo Leite de Barros, políticas de Pagamento por Serviços Ambientais (PSA) representam uma mudança importante porque atribuem valor econômico à preservação.
“Quando vem o governo e traz uma política pública de primeiro mundo, dizendo: ‘olha, nós estamos reconhecendo que vocês preservaram esse bioma que é tão importante para a humanidade e vocês, portanto, vão receber um dinheiro por essa preservação’, eu acho que é um reconhecimento muito maior do que a questão monetária”, afirma.
A lógica é acrescentar uma nova possibilidade à renda rural: além de receber pelo que produz, o proprietário também pode ser remunerado por serviços ambientais prestados pela conservação de determinadas áreas.
Irrigação e carbono aparecem como próxima fronteira
Para um eventual segundo mandato, Riedel coloca entre seus compromissos ampliar essa transformação por duas frentes: irrigação e valorização econômica da preservação.
O governador afirma que pretende estruturar um grande projeto de incentivo à irrigação, com objetivo de aumentar a segurança hídrica e reduzir a vulnerabilidade da produção às oscilações climáticas.
Também propõe ampliar os mecanismos de Pagamento por Serviços Ambientais e associá-los às oportunidades abertas pelo mercado de carbono.
“Pelo PSA, vamos valorizar ainda mais quem preserva, ampliando a renda do produtor com o crédito de carbono. É esse o futuro que estamos plantando”, afirma.
Depois de décadas em que boa parte da economia rural sul-mato-grossense esteve concentrada em poucas atividades, o campo passa, portanto, por uma mudança de escala e de perfil.
O boi continua importante. A soja e o milho continuam entre as grandes forças da produção. Mas ao redor deles cresceram a celulose, o etanol de milho, a bioenergia, a piscicultura, a suinocultura e novas culturas como amendoim e laranja.
Mais do que substituir uma atividade por outra, a transformação está em multiplicar o que Mato Grosso do Sul consegue produzir a partir de sua terra — e quanto valor consegue acrescentar a essa produção antes que ela atravesse suas fronteiras.
Luís Vilela é jornalista formado pela UNIDERP Campo Grande (MS), atual em veículos de imprensa como Jornal O Estado de MS, rádio CBN Campo Grande, Jornal Tribuna Livre, Rádio Difusora e Rádio VALE FM. Vencedor de premios de Jornalismo FAMASUL e OCB/MS.
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PARANAIBA: Veja os 43 veículos autorizados para transportar eleitores durante as eleições

Publicado
13 horas atrásem
01/10/2026Por
LUIS VILELA
| Nº | Veículo | Lotação | Motorista | Trajeto |
|---|---|---|---|---|
| 1 | Kombi | 12 | Ricardo Teixeira da Maia | Fazenda Santa Fé → Fazenda Furninha → Distrito São João do Aporé |
| 2 | Micro-ônibus | 20 | Juliana Custodio de Souza | Fazenda Ponte Nova → Vale do Quitéria → Praça da República |
| 3 | Kombi | 12 | Cintia Teodoro de Jesus | Fazenda Estrela da Mata → Boteco do Martelo → Distrito do Tamandaré |
| 4 | Kombi | 12 | Carlos Augusto da Silva | Chácara Rancho Alegre → Serrinha → Praça da República |
| 5 | Ônibus | 26 | Rogério Afonso Aguiar | Fazenda C1 → Distrito São João do Aporé |
| 6 | Kombi | 12 | Geraldo Jose Pedrozo | Fazenda Santa Maria → Praça da República |
| 7 | Kombi | 15 | Lauro Lourenço de Souza | Fazenda Dois Meninos → Distrito Alto Tamandaré |
| 8 | Micro-ônibus | 16 | Cledilson Souza de Freitas | Fazenda Agroverde → Espicha Couro → Praça da República |
| 9 | Kombi | 12 | Elisângela Aparecida da Mata | Sítio Dois Irmãos → Praça da República |
| 10 | Micro-ônibus | 16 | Leonardo Vieira da Silva | Fazenda Espicha Couro → Praça da República |
| 11 | Ônibus | 24 | José Carlos Tiago da Maia | Fazenda Rio das Pedras → Praça da República |
| 12 | Ônibus | 22 | Julio Cesar Alves Martins | Fazenda Santa Luzia → Praça da República |
| 13 | Kombi | 12 | Juracy Palmieri | Fazenda Barra do Bacuri → Praça da República |
| 14 | Micro-ônibus | 20 | Rugmar Martins de Oliveira | Fazenda Colina/Pindorama → Distrito do Raimundo |
| 15 | Micro-ônibus | 16 | Elias Martins de Souza | Fazenda Maria Eleida → Galileia → Praça da República |
| 16 | Ônibus | 35 | Silvio Cesar Alves Vital Junior | Fazenda São Francisco → Jamel → Praça da República |
| 17 | Micro-ônibus | 15 | Gersolino Francisco da Silva | Fazenda Aporé → ABC → Praça da República |
| 18 | Kombi | 15 | Silvio Fagundes Dias | Bar do Dionísio → Praça da República |
| 19 | Micro-ônibus | 16 | Nilvaine Leonel de Paula | Fazenda Recanto das Figueiras → Praça da República |
| 20 | Micro-ônibus | 15 | Teobaldo Silva Arantes | Fazenda Campeiros → Divisa → Praça da República |
| 21 | Ônibus | 29 | Ronaldo Costa Silva | Fazenda São Bento → Distrito Alto Tamandaré |
| 22 | Micro-ônibus | 16 | Romário Brito dos Santos | Fazenda São Miguel → Coqueiros → Praça da República |
| 23 | Kombi | 15 | Deoclides Gomes Santana | Fazenda Império → Praça da República |
| 24 | Ônibus | 23 | Iomar David Barboza Neto | Fazenda São Camilo → Praça da República |
| 25 | Kombi | 12 | Edno Fagundes Dias | Fazenda São Sebastião → Praça da República |
| 26 | Kombi | 15 | Reginaldo Pereira da Silva | Fazenda Jurucutu → Distrito do Raimundo |
| 27 | Kombi | 12 | Vilma Correa da Silva | Fazenda Vista Verde → Distrito do Raimundo |
| 28 | Kombi | 15 | Mateus Felipe Batista de Paula | Sítio Tradicional → Distrito do Raimundo |
| 29 | Kombi | 15 | Reinaldo Miguel Ramos | Fazenda Anaua → Distrito do Raimundo |
| 30 | Ônibus | 35 | Fausto Henrique Ferreira | Fazenda Guanabara → Boteco do Martelo → Distrito do Raimundo |
| 31 | Kombi | 15 | Valtair José da Silva | Fazenda Furna → Distrito do Raimundo |
| 32 | Kombi | 15 | Leandro Souza Moura | Fazenda José Bauer → Distrito do Raimundo |
| 33 | Kombi | 15 | Luciane dos Santos Gonçalves | Fazenda Calanda → Praça da República |
| 34 | Kombi | 15 | Ercilia Ferreira Neto Machado | Fazenda 04 Irmãos → Distrito Alto Tamandaré |
| 35 | Kombi | 12 | Cleber Ramos de Oliveira | Fazenda Cinco Estrela → Distrito Alto Tamandaré |
| 36 | Ônibus | 24 | Antonio Lorivaldo Aparecido Dutra | Fazenda Serra → Distrito Alto Tamandaré |
| 37 | Micro-ônibus | 16 | Dinovan Marques da Silva | Distrito Alto Tamandaré → Praça da República |
| 38 | Ônibus | 45 | José Hamilton Cruz Neves | São João do Aporé → Distrito do Raimundo → Praça da República |
| 39 | Ônibus | 60 | Carlos Fernando Rodrigues | Parque Aquático → Praça da República |
| 40 | Ônibus | 30 | Marcio Mariano da Costa | Fazenda Nova Esperança → Praça da República |
| 41 | Ônibus | 30 | Ronito Ferreira Freitas | Fazenda Vitória → Praça da República |
| 42 | Ônibus | 26 | Antônio Ramos Costa | Seringueira → Praça da República |
| 43 | Ônibus | 26 | Aline Mendonça Lopes | Estância Nossa Senhora Aparecida → Praça da República |
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Riedel destaca crescimento com qualificação, infraestrutura e serviços públicos

Publicado
6 dias atrásem
26/09/2026Por
LUIS VILELA
Em entrevista à Massa FM, governador defendeu incentivos à industrialização, expansão da escola integral e novos investimentos em habitação, rodovias e saúde para acompanhar transformação econômica de MS
Eduardo Riedel defendeu, em entrevista à Massa FM, a continuidade de uma estratégia que associa crescimento econômico a investimentos em infraestrutura e serviços públicos. O governador destacou incentivos à industrialização, expansão de rodovias, qualificação para novos empregos, habitação nas cidades pressionadas pelo crescimento, avanço da escola integral e profissionalizante e uma nova contratualização da Santa Casa baseada em produtividade e resultados.
O crescimento de Mato Grosso do Sul está mudando o mapa econômico do Estado, mas também começa a impor desafios que chegam diretamente à vida das pessoas: aluguel mais caro nas cidades em expansão, necessidade de qualificação para ocupar novos empregos, pressão sobre hospitais, escolas, ruas e rodovias. Para o governador Eduardo Riedel (Progressistas), candidato à reeleição, o próximo passo é fazer com que a expansão econômica seja acompanhada por infraestrutura e serviços públicos capazes de absorver essa nova realidade.
Em entrevista aos jornalistas Bruno Callegari, Kelly Martins e Ginez César, da Rádio Massa FM, Riedel defendeu a estratégia de atração de investimentos adotada pelo Estado e afirmou que pretende aprofundar políticas de qualificação profissional, ensino em tempo integral, habitação, infraestrutura logística e regionalização da saúde.
Um dos principais argumentos apresentados pelo governador foi o desempenho da economia estadual. O crescimento real do PIB de Mato Grosso do Sul chegou a 13,4% em 2023, mais de quatro vezes os 3,2% registrados pelo país naquele ano. O resultado colocou o Estado com a segunda maior expansão entre as unidades da Federação.
Incentivos para atrair empresas e movimentar a economia
Questionado sobre as críticas dos adversários ao volume de renúncias fiscais, Riedel afirmou que os incentivos fazem parte de uma política destinada a trazer empreendimentos que, sem o benefício, poderiam se instalar em outros estados.
A lógica apresentada pelo governador é que uma empresa atraída pelo incentivo não gera apenas arrecadação direta, mas empregos, renda e demanda por fornecedores e serviços locais.
“Se eu tenho a atração de um grande negócio que não está aqui, ele não está gerando emprego, ele não está gerando renda, ele não está recolhendo imposto”, argumentou. Com a instalação do empreendimento, acrescentou, parte dessa arrecadação passa a existir e outras atividades econômicas são estimuladas.
Riedel também associou parte da renúncia à opção do Estado por manter carga tributária menor em determinados produtos e setores, citando o etanol, a carne e itens da cesta básica.
Para o governador, o desafio daqui para frente será adaptar essa política ao novo cenário criado pela reforma tributária.
Milho deixa de ser apenas matéria-prima
A expansão do etanol de milho foi apresentada na entrevista como um exemplo dessa transformação econômica. O avanço das usinas cria um mercado adicional para os produtores, mas também aumenta a disputa pelo grão utilizado na alimentação de suínos e aves.
Riedel reconheceu essa pressão e afirmou que oscilações de preço fazem parte da dinâmica de oferta e procura. Em sua avaliação, porém, o saldo estrutural da industrialização é a possibilidade de manter dentro do próprio Estado uma parcela maior da riqueza gerada pela produção agrícola.
O governador citou ainda o DDG, coproduto obtido na fabricação do etanol e utilizado na alimentação animal, como um dos elementos que conectam as novas usinas às demais cadeias produtivas.
“A gente tem que ter uma visão geral do impacto dessa roda de desenvolvimento”, afirmou. Segundo Riedel, Mato Grosso do Sul se aproxima de uma produção de 15 milhões de toneladas de milho e passou a consumir parcela expressiva desse volume internamente com a expansão das indústrias e das cadeias de proteína animal.
Estradas para acompanhar a produção
O crescimento da produção também levou a entrevista para um problema conhecido de quem depende diariamente das rodovias estaduais: a infraestrutura necessária para retirar essa riqueza das fazendas e levá-la até indústrias e mercados consumidores.
Questionado sobre a aplicação do Fundersul, Riedel afirmou que o fundo passou por mudanças a partir de 2023 e que atualmente os recursos vinculados à produção agropecuária são acompanhados por um comitê com participação de entidades representativas do setor.
Segundo o governador, o Fundersul movimenta aproximadamente R$ 1 bilhão por ano, enquanto o investimento total do Estado em rodovias se aproxima de R$ 2,5 bilhões anuais. Ele afirmou ainda que sua gestão executou mais de mil quilômetros de estradas e que Mato Grosso do Sul se aproxima dos 6 mil quilômetros de rodovias estaduais pavimentadas.
Documentos oficiais do próprio Fundersul confirmam que o fundo é destinado à construção, manutenção, recuperação e melhoria de rodovias estaduais, além de poder financiar obras como pontes, drenagem e intervenções urbanas vinculadas ao sistema viário.
Crescimento muda a rotina das cidades
É em cidades como Três Lagoas que os efeitos dessa expansão aparecem de maneira mais visível.
A chegada de empresas, trabalhadores e investimentos movimenta comércio e serviços, mas também eleva a procura por imóveis e aumenta a pressão sobre saúde, trânsito, educação e infraestrutura.
Riedel reconheceu que o valor dos aluguéis subiu e atribuiu parte desse movimento ao aumento da demanda por moradia. Segundo os números apresentados por ele durante a entrevista, o déficit habitacional estadual gira em torno de 70 mil unidades, mas uma parcela significativa desse cálculo está relacionada ao comprometimento excessivo da renda familiar com aluguel.
A resposta defendida pelo governador combina construção de moradias voltadas às famílias de menor renda com mecanismos como o Bônus Moradia, utilizado para estimular a aquisição de imóveis pelo mercado.
“Os imóveis estão aí, as famílias estão morando, mas estão pagando caro, porque existe uma concorrência por imóveis”, disse.
No caso de Três Lagoas, Riedel citou o Hospital Regional como exemplo de estrutura concebida diante da perspectiva de expansão da região e afirmou que investimentos em rodovias, ferrovia, hidrovia, educação profissional e habitação precisam avançar paralelamente à industrialização.
Emprego novo exige trabalhador preparado
Essa mesma lógica aparece diante da retomada da fábrica de fertilizantes UFN3. Questionado sobre como fazer com que as oportunidades abertas pelo empreendimento cheguem aos trabalhadores da própria região, Riedel apontou a qualificação profissional como principal instrumento do Estado.
Segundo ele, o governo pretende atuar junto às empresas para estimular a contratação local e ampliar a formação de trabalhadores para as funções que serão demandadas pelos novos investimentos.
Riedel afirmou durante a entrevista que Mato Grosso do Sul vive uma das menores taxas de desemprego de sua história. O dado mais recente consolidado para um ano completo mostra taxa de desocupação de 3% em 2025, terceira menor do Brasil, segundo o IBGE.
Nesse cenário, o desafio apontado pelo governador deixa de ser apenas criar vagas. Passa também por aproximar quem procura oportunidade das qualificações exigidas por uma economia cada vez mais industrializada.
Escola integral ligada ao futuro do trabalho
A educação ocupa lugar central nessa estratégia.
Riedel disse que pretende continuar ampliando o ensino em tempo integral e a educação profissional. Atualmente, a modalidade integral está presente nos 79 municípios e alcança 62% das escolas da Rede Estadual de Ensino, percentual confirmado pela Secretaria Estadual de Educação.
O governador ressaltou, porém, que universalizar o acesso não significa transformar obrigatoriamente todas as escolas em unidades integrais. Segundo ele, diferentes realidades familiares e sociais precisam ser consideradas antes de definir até onde a expansão chegará.
A estimativa apresentada durante a entrevista é avançar para algo entre 80% e 85% das escolas, mas Riedel afirmou que a definição ainda será discutida pela Secretaria de Educação.
Outro foco é a formação profissional no ensino médio. Segundo o governador, mais da metade dos estudantes desse ciclo já participa de cursos profissionalizantes.
Para ele, essa mudança começa a produzir efeitos em prazo relativamente curto, porque os jovens deixam a escola todos os anos já com uma formação capaz de facilitar o acesso ao primeiro emprego.
A ampliação do ensino integral nos anos finais do fundamental também foi associada a outra necessidade cotidiana das famílias. Ao absorver parte desses estudantes na rede estadual, explicou Riedel, o Estado permite que os municípios concentrem estrutura e vagas na educação infantil e nas creches.
Santa Casa: mais recursos ligados a resultados
Na saúde, a situação da Santa Casa de Campo Grande encerrou a entrevista.
Riedel classificou o hospital como indispensável para o sistema estadual e destacou que, embora seja uma instituição privada e contratualizada pelo município, recebe recursos estaduais para financiar atendimentos do SUS.
Em janeiro deste ano, por exemplo, o Governo do Estado anunciou repasse de R$ 5 milhões à instituição dentro de um termo aditivo destinado ao custeio de serviços de média e alta complexidade.
O governador defendeu uma mudança no modelo de contratualização para vincular uma parcela maior dos recursos à produtividade e aos resultados apresentados pelo hospital.
Segundo ele, as conversas já ocorrem com a nova administração indicada após a intervenção judicial.
“Nós vamos continuar colocando recurso na Santa Casa”, afirmou. Riedel condicionou, entretanto, eventual ampliação dos valores a maior produtividade e eficiência na prestação dos serviços.
Para o governador, trata-se de preservar uma estrutura considerada estratégica para Mato Grosso do Sul sem abandonar a cobrança por eficiência na aplicação do dinheiro público.
Ao longo da entrevista, Riedel construiu sua defesa da continuidade da gestão justamente sobre essa combinação: crescimento econômico, capacidade de investimento e ampliação das políticas públicas. No projeto apresentado pelo candidato para um eventual segundo mandato, a questão central passa a ser fazer com que uma economia em transformação seja acompanhada, no mesmo ritmo, por moradia, escolas, hospitais, qualificação profissional e infraestrutura capazes de sustentar essa expansão.
Fotos: Saul Schramm
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Prefeitura de Paranaíba realiza 3ª chamada de convocação do Programa Minha Casa Minha Vida/FGTS

Publicado
7 dias atrásem
25/09/2026Por
LUIS VILELA
A Prefeitura Municipal de Paranaíba, em conjunto com a Entidade Organizadora IEDHI, realiza a 3ª chamada de convocação dos pré-selecionados do Programa Minha Casa Minha Vida/FGTS – 2ª Etapa do Loteamento Costa Leste.
A convocação integra o Programa Habitacional Financiado e Subsidiado de Mato Grosso do Sul – FGTS – 30 unidades habitacionais, e tem como objetivo dar continuidade ao processo de habilitação das famílias pré-selecionadas para o empreendimento.
Os convocados deverão comparecer à Prefeitura Municipal de Paranaíba, na Sala de Vidro, localizada na Avenida Juca Pinhé, nº 333, Jardim Santa Mônica, no prazo de até cinco dias contados a partir da data da publicação, levando toda a documentação necessária para prosseguimento do processo.
É importante que os pré-selecionados fiquem atentos ao prazo. Conforme estabelecido na convocação, o não comparecimento dentro do período determinado poderá resultar na substituição do candidato, que será considerado desistente do interesse em participar do programa habitacional.
Entre os documentos solicitados estão RG, CPF ou CNH, certidão de nascimento ou casamento, documentos referentes à união estável quando aplicável, comprovante de residência, quatro últimos holerites, declaração de Imposto de Renda, Carteira de Trabalho física ou digital, número do PIS, extrato do FGTS, autorização pelo aplicativo FGTS e certidão de nascimento dos filhos. Nos casos de pessoa com deficiência ou doença crônica, também deverá ser apresentado atestado ou declaração médica contendo o CID.
A Prefeitura reforça a importância de que os convocados providenciem a documentação com antecedência e compareçam dentro do prazo estabelecido para garantir a continuidade da análise de habilitação no programa habitacional.
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