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Canalização do Córrego Estiva está em andamento

LUIS VILELA

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A Secretaria Estadual de Saúde elaborou e divulgou um boletim epidemiológico da Semana Epidemiológica onde Paranaíba está entre as três cidades com menor incidência de casos de dengue, dos 79 Municípios do Mato Grosso do Sul.

Com uma população de 40.957 habitantes, o declínio dos casos de Dengue no Munícipio ocorreu devido aos trabalhos desenvolvidos pelo departamento de Controle de Vetores em parceria com outros setores como a Secretaria Municipal de Obras, Vigilância Ambiental, Vigilância Sanitária, Secretaria de Saúde e ao empenho da população.

Durante os últimos meses o departamento de Controle de Vetores realizou diversas visitas domiciliares e ainda contou com a participação da equipe de Educação em Saúde que faz parte do setor, realizando um trabalho diferenciado por meio da orientação e conscientização da população sobre a necessidade de prevenir, evitando criadouros e água parada em locais abertos, comerciais e fechados.

A equipe de Educação em Saúde no decorrer deste ano realizou e ainda realiza palestras e panfletagens nas escolas, centro de educação infantil, residências e postos de saúde, com o objetivo de ressaltar que a conscientização das crianças e dos adolescentes é de suma importância no combate à dengue.

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Vale salientar que as ações de combate ao mosquito Aedes Aegypti contribuíram para a redução nos números e é muito importante que a população receba os agentes de combate às endemias durante as visitas e fiquem atentos aos possíveis criadouros do mosquito transmissor.

DECOM

Imagem: Arquivo/Controle de Vetores

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Luís Vilela é jornalista formado pela UNIDERP Campo Grande (MS), atual em veículos de imprensa como Jornal O Estado de MS, rádio CBN Campo Grande, Jornal Tribuna Livre, Rádio Difusora e Rádio VALE FM. Vencedor de premios de Jornalismo FAMASUL e OCB/MS.

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PM divulga orientações e canais de denúncia para o dia das eleições em Paranaíba e região

LUIS VILELA

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13º BPM reforça fiscalização contra crimes eleitorais e orienta eleitores sobre as condutas permitidas durante a votação neste domingo (4)

O 13º Batalhão de Polícia Militar (13º BPM), vinculado ao CPA-2/PMMS, divulgou uma série de orientações à população para o primeiro turno das Eleições 2026, que será realizado neste domingo, 4 de outubro. O objetivo é garantir a segurança, a ordem pública e o livre exercício do voto em Paranaíba e região.

Entre as orientações, a Polícia Militar destaca que o eleitor deve apresentar um documento oficial com foto para votar. Também é permitida a manifestação individual e silenciosa de preferência política, por meio de bandeiras, broches, dísticos e adesivos.

Por outro lado, é proibido entrar na cabine de votação com celular, máquinas fotográficas ou qualquer equipamento que possa comprometer o sigilo do voto. Os aparelhos deverão ser deixados com os mesários.

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A corporação também alerta para a proibição de porte de armas no raio de 100 metros dos locais de votação, com exceção das situações previstas na legislação.

Crimes eleitorais e condutas proibidas

A Polícia Militar reforça que estará atuando na prevenção e repressão de crimes eleitorais. Entre as principais irregularidades estão:

  • Boca de urna e qualquer tentativa de abordagem para conquistar votos;
  • Distribuição ou derramamento de santinhos nas proximidades dos locais de votação;
  • Compra de votos, mediante oferta de dinheiro, combustível ou qualquer outra vantagem;
  • Transporte irregular de eleitores;
  • Ameaças, coação e perturbação da ordem nos locais de votação;
  • Danos às urnas eletrônicas e desacato aos mesários.

A corporação também orienta que pessoas que se apresentarem visivelmente embriagadas e provocarem tumulto ou desordem nos locais de votação poderão ser conduzidas pela Polícia Militar, conforme a legislação.

Como denunciar irregularidades?

Para facilitar a comunicação de ocorrências durante o pleito, o 13º BPM disponibiliza dois canais de atendimento:

190 – Polícia Militar: para situações de emergência, flagrantes de crimes eleitorais, ameaças, coação e tumultos.

WhatsApp de denúncias: (67) 99194-1646: canal direto com o 13º BPM, em Paranaíba, que permite o envio de informações, fotos e vídeos sobre possíveis irregularidades, com garantia de sigilo.

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A Polícia Militar reforça que a participação da população é fundamental para que as eleições ocorram de maneira segura, tranquila e democrática.

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Cuidado que chega mais perto: saúde e proteção social mudam a vida em Campo Grande

LUIS VILELA

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Priscila Teodoro da Silva, 36 anos, percorre diariamente as ruas do Vila Nasser, em Campo Grande. Como agente de saúde, conhece as famílias do bairro, acompanha suas necessidades e vê de perto o caminho percorrido por quem depende da rede pública. Enfermeira de formação, ela também sabe o que acontece quando esse caminho termina em hospitais sobrecarregados.

“Eu, além de ser da saúde, também sou enfermeira. Então eu sei como é a superlotação, como a população sofre com isso”, conta.

É dessa experiência cotidiana que Priscila observa uma das mudanças promovidas pelo Governo de Mato Grosso do Sul na saúde: a regionalização do atendimento. A estratégia amplia a estrutura no interior para que parte dos pacientes possa ser atendida mais perto de casa e para reduzir a pressão sobre os hospitais de Campo Grande.

“Essa regionalização ajuda muito a população a conseguir ser mais assistida. Vai desafogar os hospitais daqui, a população de Campo Grande não vai sofrer tanto com a superlotação”, avalia.

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Durante agenda na Capital, o governador Eduardo Riedel destacou essa política e encontrou também trabalhadores que estão na outra ponta do sistema — aqueles que entram nas casas, acompanham famílias e ajudam a evitar que muitos problemas cheguem aos hospitais.

Valorização de quem está na ponta

Para Priscila, a mudança não ocorreu apenas na estrutura do atendimento. Chegou também ao salário dos agentes.

O governo estadual elevou para até um salário mínimo o incentivo pago à categoria, em um processo escalonado até o fim de 2026. O benefício alcança agentes comunitários de saúde, de controle de endemias, indígenas e de saúde pública em todo Mato Grosso do Sul.

“Ele cumpriu rigorosamente o que prometeu na última campanha. É um governo que valoriza a nossa categoria, as portas são abertas, a gente consegue falar diretamente na Secretaria de Saúde”, afirma.

Priscila entregou uma carta ao governador pedindo a manutenção do incentivo. Riedel assumiu o compromisso de preservar o benefício.

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Por trás da mudança percebida pela agente está um conjunto de investimentos. O Estado aplicou R$ 3,47 bilhões na regionalização da saúde. Desse total, R$ 2,478 bilhões foram destinados ao incentivo hospitalar. Outros R$ 682,4 milhões foram direcionados a repasses aos municípios e ao programa MS Saúde, R$ 188,6 milhões a equipamentos e veículos e R$ 127,8 milhões a obras.

Com a nova política hospitalar, o teto de incentivos, que variava entre R$ 50 milhões e R$ 70 milhões ao ano, chegou a R$ 198,5 milhões.

A rede conta com quatro hospitais regionais e 695 leitos de contrapartida estadual. Entre as unidades estão o Hospital Regional de Dourados, responsável pelo atendimento a 34 municípios do Cone Sul, o hospital de Três Lagoas e o Hospital Regional de Mato Grosso do Sul, na Capital, com 362 leitos. O governo também pretende dar ordem de início de serviço ao quinto Hospital Regional, em Corumbá.

No primeiro semestre de 2026, o interior respondeu por 37,7% dos pacientes regulados. Em 2022, eram 31,9%. O Estado também realizou 44.682 atendimentos de telessaúde nos 79 municípios e alcançou nota 100 em cobertura vacinal.

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Da fábrica à vida cotidiana, celulose redesenha trabalho e renda em Três Lagoas

LUIS VILELA

Publicado

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Quando entrou em um processo seletivo do Senai, Eugênio Dias enxergava poucas possibilidades de construir uma carreira em Três Lagoas. Naquele momento, o comércio parecia praticamente o único caminho disponível. Um curso técnico de seis meses mudou o horizonte.

A formação abriu a porta para seu primeiro emprego no setor de celulose. Dezesseis anos depois, aos 42, Eugênio trabalha como operador na área de secagem da Suzano, constituiu família na cidade e olha para trás como quem reconhece que uma escolha profissional acabou definindo boa parte da própria vida.

“Entrei na empresa em 2010, quando ainda era a antiga Fibria. Antes disso, participei de uma seleção no Senai, passei na prova e fiz um curso técnico de seis meses. Depois fui contratado para a área florestal e, mais tarde, passei em outro processo seletivo para a área industrial, onde estou até hoje”, relembra.

Foi também em Três Lagoas que conheceu a estabilidade necessária para fazer planos. A esposa é do município e os dois filhos, um casal, nasceram na cidade.

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“Estou neste ramo há 16 anos e, sem sombra de dúvida, foi uma das melhores escolhas que fiz na vida. Espero permanecer por mais 16 anos”, diz.

O impacto aparece também na renda. “Não posso ser hipócrita e dizer que tudo o que tenho hoje não é devido ao ramo da celulose.”

A trajetória de Eugênio ajuda a dimensionar uma transformação que, depois de mais de 15 anos de industrialização, ultrapassou os portões das fábricas. A cadeia da celulose espalhou seus efeitos por transportadoras, oficinas, empresas de engenharia e tecnologia, restaurantes, laboratórios, serviços de automação e uma extensa rede de fornecedores.

O desafio agora é fazer com que uma parcela cada vez maior das oportunidades geradas permaneça em Mato Grosso do Sul — tanto na forma de empregos qualificados quanto de contratos para empresas locais.

É uma das frentes defendidas pelo Governo do Estado sob a gestão de Eduardo Riedel (Progressistas), candidato à reeleição. A estratégia procura combinar atração de investimentos, qualificação profissional e fortalecimento de fornecedores sul-mato-grossenses, num momento em que Três Lagoas já se consolidou como um dos principais polos industriais do setor.

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Uma indústria que movimenta a cidade inteira

A primeira unidade da atual Suzano entrou em operação em Três Lagoas em 2009. A Eldorado Brasil iniciou a produção em 2012 e uma segunda linha da Suzano foi inaugurada em 2017.

Juntas, as plantas instaladas no município têm capacidade para produzir mais de cinco milhões de toneladas de celulose por ano.

É uma escala que exige muito mais do que trabalhadores diretamente envolvidos na produção. As fábricas precisam de manutenção, transporte, alimentação, segurança, limpeza, recursos humanos, tecnologia, peças e serviços ambientais.

Quanto maior a participação de empresas da região nesses contratos, maior também a possibilidade de que o dinheiro gerado pela indústria continue circulando na economia local.

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Em 2025, 532 pequenas e médias empresas sediadas em Três Lagoas forneceram produtos ou serviços à Suzano. Segundo a companhia, esses negócios movimentaram R$ 1,7 bilhão.

O número ganha outra dimensão quando sai das planilhas. Um contrato industrial pode permitir que uma oficina contrate funcionários, que uma empresa de alimentação amplie sua cozinha ou que um prestador de serviços tenha receita suficiente para investir e planejar os próximos anos.

Para um pequeno empresário, entrar na cadeia de uma grande indústria pode significar também um salto de profissionalização. Exigências relacionadas à segurança, qualidade, regularidade fiscal e cumprimento de prazos obrigam fornecedores a aprimorar processos e podem abrir portas para outros clientes.

Essa oportunidade, porém, não está igualmente ao alcance de todos.

Falta de capital, documentação, estrutura administrativa e orientação ainda dificulta a participação de pequenos negócios. Sem condições para competir, empresas locais podem ver contratos gerados dentro de Três Lagoas serem assumidos por fornecedores de outros estados.

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Para Riedel, a atuação do poder público precisa avançar justamente sobre esse ponto.

“O papel do Estado, nesse ponto, não se limita à atração das grandes fábricas. Inclui criar condições para que empresas locais se formalizem, ampliem sua capacidade e disputem parte dos contratos gerados pela industrialização”, afirma.

Segundo o governador, a medida do desenvolvimento não deve ser apenas o volume produzido ou exportado, mas também sua repercussão sobre a economia local.

“O resultado precisa ser medido não apenas pelo valor exportado, mas pelo número de fornecedores locais, pelos postos mantidos e pela renda que permanece circulando no município.”

O crescimento visto do balcão de uma pequena empresa

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O empresário Romulo Ojeda Diogo acompanha essa transformação desde 2011. Há mais de sete anos com uma empresa em Três Lagoas, ele também mantém uma filial em Inocência.

O negócio atua no comércio varejista e possui um centro de distribuição de utensílios para bares, lanchonetes e alojamentos — atividades diretamente afetadas pelo aumento da população, das obras e da procura por alimentação e hospedagem.

Romulo situa a chegada da Eldorado Brasil e de outras empresas ao Distrito Industrial como um momento decisivo desse ciclo.

“A gente acompanha esse crescimento desde 2011, com a implantação da Eldorado e de outras empresas. Foi quando começou esse grande desenvolvimento do setor de celulose, e desde então Três Lagoas segue evoluindo”, afirma.

Na avaliação do empresário, a expansão industrial aumentou a circulação de renda e abriu espaço para novos negócios. Ele também enxerga na retomada das obras da Unidade de Fertilizantes Nitrogenados, a UFN3, outra possível fonte de demanda.

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“O crescimento gera demanda por moradias, comércio e serviços, fortalecendo toda a economia local”, diz.

A expansão já ultrapassa os limites de Três Lagoas. Em 2023, Romulo abriu uma filial em Inocência, onde a construção da fábrica de celulose da Arauco acelerou a movimentação econômica.

“Inocência também sente um impacto muito grande. A gente acompanha de perto essa evolução e percebe como os investimentos estão movimentando toda a região.”

É a face mais visível do chamado Vale da Celulose, região formada por 12 municípios conectados à produção florestal, à indústria e à logística.

Criar vagas é apenas parte do desafio

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A experiência de Eugênio mostra o que um emprego pode representar quando se transforma em carreira. Mas os próprios números do mercado de trabalho de Três Lagoas indicam que esse percurso ainda está longe de ser realidade para todos.

O município encerrou 2025 com 44.972 empregos formais e saldo positivo de 1.272 vagas. Parte importante das oportunidades veio do setor de serviços, impulsionado por uma indústria cuja influência vai muito além da produção direta de celulose.

Ao mesmo tempo, a taxa de rotatividade chegou a 66,4%, enquanto o tempo médio de permanência no emprego ficou em 13,9 meses.

Para quem sustenta uma família, um vínculo curto pode ter consequências concretas: dificulta assumir um financiamento, organizar despesas domésticas ou planejar os gastos com a educação dos filhos.

Por isso, a expansão do número de vagas resolve apenas uma parte do problema. A outra é criar condições para que trabalhadores permaneçam empregados, se qualifiquem e cheguem a funções com melhores salários e maior estabilidade.

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Eugênio percorreu justamente esse caminho. Começou na área florestal, passou por um novo processo seletivo e chegou à operação industrial, onde trabalha atualmente.

As possibilidades dentro da cadeia são variadas: operações florestais, transporte, química, mecânica, eletrotécnica, automação, logística, segurança do trabalho e controle de qualidade.

O Senai ofereceu em Três Lagoas cursos técnicos em Mecânica, Automação Industrial, Celulose e Papel, Eletrotécnica, Logística e Química. O MS Qualifica também levou formações ligadas à produção de papel e às operações florestais.

No Estado, o programa anunciou 88 turmas destinadas a 1.420 trabalhadores, com investimento próximo de R$ 3 milhões.

A qualificação, entretanto, precisa resultar em inserção efetiva no mercado. O desafio não termina na entrega do certificado. Para avaliar o alcance dessas políticas, será necessário acompanhar quantos alunos conseguiram emprego, em quais funções foram contratados e quantos permaneceram trabalhando seis meses ou um ano depois.

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Na estratégia estadual, as indústrias criam a demanda, enquanto os programas de formação tentam preparar quem já vive em Mato Grosso do Sul para ocupá-la.

Sem essa ligação, a economia pode crescer enquanto parte dos moradores continua distante justamente das vagas mais qualificadas.

Uma cidade de Mato Grosso do Sul ligada ao mercado mundial

A dimensão internacional dessa economia aparece nas exportações.

Em 2025, Três Lagoas exportou US$ 3,05 bilhões. Mais de 90% desse valor veio da celulose, enviada principalmente para a China, além de mercados como Estados Unidos, Holanda, Itália e Argentina.

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A força das vendas externas demonstra o tamanho alcançado pelo setor, mas também expõe uma vulnerabilidade: a elevada dependência de um único produto.

Mudanças no preço internacional da celulose, no câmbio ou na demanda externa podem produzir efeitos sobre uma parcela significativa da economia local.

Uma das respostas em discussão é aprofundar a própria cadeia, fazendo com que mais peças, equipamentos, componentes e serviços utilizados pelas fábricas sejam produzidos dentro de Mato Grosso do Sul.

Em maio, o Governo do Estado assinou protocolo de intenções com o grupo chinês Broad Wire, que estuda instalar em Três Lagoas uma fábrica de arames utilizados no enfardamento da celulose.

O projeto ainda precisa cumprir etapas antes de se converter em investimento efetivo. A proposta, porém, exemplifica a tentativa de aproximar das produtoras fornecedores que hoje estão localizados em outros estados ou países.

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“A lógica é reduzir custos de transporte para as fábricas e, ao mesmo tempo, gerar novos empregos e atividades industriais no Estado”, afirma Riedel.

A diversificação dos fornecedores também pode ter reflexos na vida de quem trabalha. Quanto maior o número de empresas integradas à cadeia, maiores as possibilidades de um profissional trocar de emprego sem deixar a cidade e de um pequeno negócio reduzir sua dependência de um único cliente.

Crescimento traz oportunidades — e também pressões

A experiência acumulada por Três Lagoas também demonstra que crescimento econômico não elimina automaticamente os problemas urbanos.

A chegada de empresas e trabalhadores aumenta a procura por moradia, pressiona o preço dos aluguéis, movimenta o trânsito e amplia a demanda sobre saúde, educação e formação profissional.

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Os próprios dados sobre rotatividade mostram outro limite: criar empregos não significa necessariamente criar estabilidade.

Esse é um dos pontos centrais para a próxima etapa do desenvolvimento do município. Pequenos fornecedores precisam conseguir acesso à cadeia industrial; trabalhadores necessitam de cursos conectados às vagas realmente existentes; e o poder público precisa responder às pressões provocadas pelo crescimento sem permitir que as oportunidades econômicas sejam acompanhadas por uma deterioração dos serviços ou por um custo de vida cada vez mais difícil para a população.

Para o Governo do Estado, a estratégia é ampliar os vínculos das grandes indústrias com a economia sul-mato-grossense, aumentando as compras locais, atraindo fornecedores e formando trabalhadores para funções mais especializadas.

Isso significa olhar além dos números bilionários das exportações e dos anúncios de investimentos.

A medida concreta está também em quanto da renda continua circulando na cidade, quantos empregos deixam de ser temporários para se transformar em carreiras e quantos pequenos negócios conseguem crescer junto com as grandes fábricas.

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Quando o emprego vira uma vida construída

Em Três Lagoas, a celulose já aparece muito além das chaminés e linhas de produção. Está na oficina que faz manutenção, no caminhão que transporta matéria-prima, no laboratório que acompanha processos industriais, na sala de aula que prepara técnicos e no comércio que atende quem chegou à cidade para trabalhar.

Para Eugênio, essa transformação pode ser contada de maneira ainda mais simples.

Um curso de seis meses levou ao primeiro emprego. O primeiro emprego abriu caminho para outra área. A permanência no setor trouxe renda, estabilidade e condições para construir uma família.

“Foi aqui que construí minha família”, resume.

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A frase ajuda a colocar em perspectiva o desafio que permanece diante de Três Lagoas. Depois de mais de 15 anos de industrialização, o município já demonstrou a capacidade de uma grande cadeia produtiva de modificar sua economia.

A próxima etapa é fazer com que o crescimento se traduza, de maneira mais ampla, em histórias que durem tanto quanto a de Eugênio: empregos que virem carreiras, qualificação que resulte em trabalho, empresas locais capazes de crescer e uma cidade preparada para que a riqueza produzida em escala mundial também permaneça na vida cotidiana de quem mora nela.

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